quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

For Summer Day...

Para os dias quentes, os dias de verão em que se aguarda ansiosamente por uma gota de chuva ou mesmo um vento fresco para esfriar o suor na testa, nesses dias algo estranho paira no ar. Seria os automóveis apressados para refrescarem-se em casa, ou mesmo as pessoas que se espremem dentro de um ônibus. Algo estranho, de fato, paira no ar.

Seria mesmo o feliz natal que desejamos, e se foi mesmo feliz, que isso sirva de lição. A aprendizagem metalingüística, aquela mesma que somos capazes de compreender. A virtude de se permitir momentos de felicidade. E mesmo de coração vazio, preenchê-lo com o doce sabor de um dia quente. O sentimento que vai e não volta. E as vezes em que se presta atenção naquela mulher sentada limpando o suor na testa; não exatamente cansada, mas apenas com calor.

Para os dias quentes, refrescar o pensamento com pequenas coisas. Resfriar aquilo que não mais serve como gota de chuva. O rastro, apenas o rastro daquilo que um dia foi pedido de socorro.

Para os dias quentes de verão, um pensamento, leve e frio.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

So, here we are

Eu visto duas peles. Duas roupas. Em dobro, como o pensamento mítico. Eu gosto dos mitos. Eu tenho uma visão, talvez, um pouco abalada das coisas e até mesmo posso viver da fantasia. Por isso eu uso duas peles. Poucos entenderam isso. Eu tenho a pele como ela deve ser, como eu deveria e como deveria ser a verdadeira face da negação. Não nego, mas tenho medo da afirmação; ela me traz uma verdade, engrandece o sentimento, mascara a realidade. Nego a verdade. Pelo sim, eu digo nunca, nunca mais serei o que eu fui. Será a marca? Aquele beijo na orelha, tão doce e gentil...eu arranco à força um sorriso e uma conquista, mas nego em seguida. A maldição do coração, eterno bandido, o coração e as matas nas quais eu me embrenho.
Negar.
Eu tenho duas peles. Quem vai dizer o contrário? É quase como se eu pudesse enxergar, como bonóculo, a verdade por trás da pele. O que seria mesmo isso? Sabe lá deus o que é. Nem cristo vai nos salvar. Uma bela trepada por baixo do lençol, as bolas de natal caindo pelo chão e um gorro velho, usado para limpar o...
Sim, é natal, é natal e por isso usarei minha roupa vermelha, quente, alegre...

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

D´arc

Eu tento resistir. Passo reto, às vezes, por entre pessoas que eu sei que conheceria melhor. E eu resisto. Armado, com escudo e lança, saio acertando o destino como se isso fosse matéria da realidade. Eu entro por aquela porta aberta, e me deparo com a resistência. Exércitos de razões posso ser também cartesiano. Escolho a melhor armadura. Vou para a guerra. Eu tento resistir.

Como me quebram, feito galho, feito folha seca pisada. Um dia, há muito tempo, e hoje. Mas a resistência cai. Cai quando você me coloca no seu peito, como se eu fosse ser protegido. Eu, pássaro encolhido, dentro do ninho. Faz-me esse favor. Não quebre minhas asas. Para você, meu vôo é alto, como já foi um dia. Eu resisto e logo você invade meu alicerce, me coloca de frente e em pé. Eu, encostado e preso à sua boca. De que outra forma eu poderia estar?

Algumas vezes, pelo caminho de bombas, pode restar à paz, essa mesma paz que você me cede. Eu procuro e sei que você, próximo, me traz jóias na mão. E minha vida, como disseram lá, possui razões para que as coisas aconteçam. Tu não te moves de ti. Espero no quarto, ansioso, meu telefone tocar com o seu nome. Um nome que também é meu.

Eu resisto. Você quebra minha armadura. E ela nem era tão forte como eu pensei. Bastou um beijo na orelha.

domingo, 16 de dezembro de 2007

What the World Needs

E nas horas vagas, tem sempre o mesmo olhar. Eu peço ao garçom um café, e você, gratuitamente me dá um sorriso. Um sorriso com nome, um olhar de fora, de quem vê e sente.
Eu esperei, esperei chegar aquele momento que a mão pousa na mesa e mesmo com as veias saltadas, vem uma palavra. Simples. Vem a palavra. A sua na minha. Como o gosto da sua boca há menos de uma semana, semeando algo internamente.
Enquanto espero, ansiosamente escolhendo uma roupa, eu penso na probabilidade de ter visto, sentado no sofá branco, por uma noite apenas. E tudo o que se transformou. Em pouco tempo. Tão pouca intimidade. Sempre preso no momento em que resolvi me vestir para a festa. Nas horas vagas, naquele exato momento em que algo estava ruindo, eu mesmo resolvi reconstruir, sozinho. E mesmo no seu peito, nu, na sua boca sedenta, e por entre as suas pernas, eu deixei um lado, para ir em outro. No momento em que eu senti suas costas molhadas de suor, eu deixei que o calor penetrasse meus poros, deixando o seu cheiro correr pelo meu corpo, internamente, como se naquele momento eu pudesse ser somente seu, pelo prazer, pela dor de ter você dentro de mim.
Eu ontem nutri algo, hoje pelo prazer da sua mão, eu entrego o velho ao novo. E que o passado seja realmente a lembrança dolorosa daquilo que não aconteceu, enterrada pelo novo. Eu sei, o presente incerto, daquilo que uniu as nossas peles, será sempre o momento tênue de se relacionar. Eu, com você, posso, mesmo que por pouco tempo, ser o que eu sou. E mesmo quando você me diz perto da orelha...Sei, é verdade.
Nas horas vagas, ter você no pensamento. Será a ilusão de um caso. Ou o caso que resolveu o mito. Eu, deitado, com seu braço em mim, me sinto, por pouco tempo, seguro do mundo.
Quem sabe, deixo as horas vagas para outro e coloco você dentro do relógio?

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

The Mith

O ano prestes a terminar. Como mitos distantes, tudo começa a se renovar. Como o próprio ano, como a vida em si. O mundo que se torna, a cada dia, maior. Na vinda pelas vias estreitas, me parece que enfim o quebra-cabeça está se completando.
Uma semana em que acontecem as coisas, como aconteceram. Um encontro, um encontro quase vital. A resolução de um problema. E claro, o gosto daquele beijo. O sabor de tudo aquilo que foi inesperado, rápido, veloz como deveria ter sido. E veio como aquilo que faz a mudança. Mesmo que pouco, trouxe o esquecimento. A comemoração de festas de fim de ano. Eu ainda dolorido de prazer. Mas é também a semana do cansaço. Da esperança do telefone tocar, como tocou de manhã e a noite. A voz doce, ainda desconhecida, cheia de intimidade-não-forçada. Eu te emprestei um livro e foi como se eu tivesse, como pouco fiz, emprestado um pedaço de mim. Um livro. Somente um livro e eu imediatamento soube que, ali, naquele momento, dentro do meu quarto, meu corpo já tinha nome-para-dar.
E você, meu livro, aquela noite e alguns copos de whisky. Uma mensagem. Alguns e-mails.
Minha semana que passou rápida, como se eu tivesse sido atendido. Você, pouco a pouco está se encaixando. Eu em você, e você dentro de mim, como foi. Você derramando sobre a minha pele, o seu suor.
E eu, trêmulo, dizendo para você não parar mais.