Eu visto duas peles. Duas roupas. Em dobro, como o pensamento mítico. Eu gosto dos mitos. Eu tenho uma visão, talvez, um pouco abalada das coisas e até mesmo posso viver da fantasia. Por isso eu uso duas peles. Poucos entenderam isso. Eu tenho a pele como ela deve ser, como eu deveria e como deveria ser a verdadeira face da negação. Não nego, mas tenho medo da afirmação; ela me traz uma verdade, engrandece o sentimento, mascara a realidade. Nego a verdade. Pelo sim, eu digo nunca, nunca mais serei o que eu fui. Será a marca? Aquele beijo na orelha, tão doce e gentil...eu arranco à força um sorriso e uma conquista, mas nego em seguida. A maldição do coração, eterno bandido, o coração e as matas nas quais eu me embrenho.
Negar.
Eu tenho duas peles. Quem vai dizer o contrário? É quase como se eu pudesse enxergar, como bonóculo, a verdade por trás da pele. O que seria mesmo isso? Sabe lá deus o que é. Nem cristo vai nos salvar. Uma bela trepada por baixo do lençol, as bolas de natal caindo pelo chão e um gorro velho, usado para limpar o...
Sim, é natal, é natal e por isso usarei minha roupa vermelha, quente, alegre...
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