E nas horas vagas, tem sempre o mesmo olhar. Eu peço ao garçom um café, e você, gratuitamente me dá um sorriso. Um sorriso com nome, um olhar de fora, de quem vê e sente.
Eu esperei, esperei chegar aquele momento que a mão pousa na mesa e mesmo com as veias saltadas, vem uma palavra. Simples. Vem a palavra. A sua na minha. Como o gosto da sua boca há menos de uma semana, semeando algo internamente.
Enquanto espero, ansiosamente escolhendo uma roupa, eu penso na probabilidade de ter visto, sentado no sofá branco, por uma noite apenas. E tudo o que se transformou. Em pouco tempo. Tão pouca intimidade. Sempre preso no momento em que resolvi me vestir para a festa. Nas horas vagas, naquele exato momento em que algo estava ruindo, eu mesmo resolvi reconstruir, sozinho. E mesmo no seu peito, nu, na sua boca sedenta, e por entre as suas pernas, eu deixei um lado, para ir em outro. No momento em que eu senti suas costas molhadas de suor, eu deixei que o calor penetrasse meus poros, deixando o seu cheiro correr pelo meu corpo, internamente, como se naquele momento eu pudesse ser somente seu, pelo prazer, pela dor de ter você dentro de mim.
Eu ontem nutri algo, hoje pelo prazer da sua mão, eu entrego o velho ao novo. E que o passado seja realmente a lembrança dolorosa daquilo que não aconteceu, enterrada pelo novo. Eu sei, o presente incerto, daquilo que uniu as nossas peles, será sempre o momento tênue de se relacionar. Eu, com você, posso, mesmo que por pouco tempo, ser o que eu sou. E mesmo quando você me diz perto da orelha...Sei, é verdade.
Nas horas vagas, ter você no pensamento. Será a ilusão de um caso. Ou o caso que resolveu o mito. Eu, deitado, com seu braço em mim, me sinto, por pouco tempo, seguro do mundo.
Quem sabe, deixo as horas vagas para outro e coloco você dentro do relógio?
Nenhum comentário:
Postar um comentário